Depois de um intervalo de 12 anos, a franquia de terror “O Chamado”, sobre um vídeo mortal e um espírito vingativo, volta aos cinemas. Porém, esse tempo todo parece não ter sido suficiente para criar um filme de qualidade.
É importante ressaltar que o título original do filme é “Rings” (em português, “Chamados”), o que seria muito mais apropriado: “O Chamado 3”, nome que deram no Brasil, dá a entender que o longa é uma continuação do segundo, e isso não é verdade. O novo filme dá um “reset” na série, com novos personagens.
Costuma-se dizer que a primeira impressão sobre algo nem sempre é válida. No caso de “O Chamado 3”, que estreia hoje (2/2), a primeira impressão é a que fica e é certeira. O filme começa com uma cena boba em um avião, onde um jovem afirma ter assistido a um vídeo que supostamente o mataria em sete dias —o tempo dele terminaria naquele momento. O avião começa a ter panes, e Samara, o espírito vingativo por trás do vídeo, aparece ali.

No novo longa, a atriz Bonnie Morgan interpreta Samara, o espírito vingativo (Foto: Divulgação)
Depois dessa introdução que nada tem a ver com a história, o filme vai para a trama de verdade. Nela, a jovem Julia (Matilda Lutz) se despede do namorado, Holt (Alex Roe), que vai para a faculdade. Ele, porém, parece sumir: não atende ligações e não responde mensagens.
Insatisfeita, Julia vai até a universidade procurá-lo e descobre que Holt se envolveu em um perigoso estudo, tocado pelo professor Gabriel (Johnny Galecki), que encontrou a fita de vídeo de Samara. O homem descobriu, porém, que a morte não é certeira: é preciso fazer uma cópia do vídeo e mostrá-lo a outra pessoa; assim, Samara não se vingará. Gabriel convenceu alunos, como Holt, a assistirem ao vídeo e o passarem para outra pessoa, em uma corrente, para estudarem a vida após a morte.
Holt, entretanto, se encrenca quando o aluno para quem deveria passar o vídeo desiste de participar do estudo. Como o tempo do jovem está acabando, Julia decide ver as imagens para salvar o namorado. Só que o vídeo dela tem novas imagens. A partir delas, Julia e Holt vão à cidade onde Samara morreu para investigar sua vida.
O roteiro do filme parece um queijo suíço, cheio de “furos”: há o estudo perigosíssimo tocado pelo professor (afinal, profissional faria isso com alunos?!) e não dá para saber como exatamente ele provaria a existência da alma (já que a ideia é não deixar a Samara aparecer para matar ninguém). Há inúmeras situações jamais explicadas, como as novas imagens no vídeo que Julia viu. Por que justo ela é a escolhida de Samara? Não sabemos. Há também um acidente mal explicado e a morte de um antagonista (outro, além da Samara, mas revelá-lo aqui pode ser spoiler) que não fez o menor sentido.
“O Chamado 3” é tão bobo e sem sentido que nem sequer causa medo no espectador, o que seria o objetivo número um desse tipo de filme. A sessão de cinema, na qual o Culturice estava, ficou repleta de risadas da plateia.
Avaliação: Ruim.
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