A série “Black Mirror” costuma perturbar os espectadores com suas histórias bizarras que envolvem tecnologia. Mas agora eles inovaram mesmo: o filme “Black Mirror: Bandersnatch”, já disponível na Netflix, é interativo. É você, espectador, quem escolhe quais decisões o protagonista vai tomar – e, assim, cada um vê um desenrolar diferente para a história.
Contatada pelo Culturice, a Netflix não revelou quantos finais existem – segundo ela, essa é justamente a graça da experiência (e nós concordamos, apesar da vontade de matar a curiosidade). O serviço de streaming apenas confirmou que há cinco finais principais, cada um com múltiplas variáveis e ramificações.
Segundo os criadores do filme, Charlie Brooker e Annabel Jones, e o diretor, David Slade, algumas cenas do longa possivelmente jamais serão encontradas. Será?
De acordo com Slade, há uma cena que foi gravada que nem a própria equipe do filme consegue encontrar (!).
Confira, abaixo, um vídeo dos bastidores, os cinco finais principais e um fluxograma (em inglês) com as principais ramificações e variações da trama.
Nos bastidores de “Bandersnatch”
Os cinco finais principais
Na trama, que se passa em 1984, o jovem Stefan (Fionn Whitehead) se dedica a criar um game interativo, baseado em um livro igualmente interativo e chamado “Bandersnatch”. Ele consegue vender seu projeto a uma grande empresa, que conta com o famoso programador Colin Ritman (Will Poulter).
Enquanto precisa se dedicar à complexa programação do game, Stefan ainda tem de lidar com o trauma da morte da mãe, sessões de terapia e com um relacionamento estranho com o pai.
Se você ainda não assistiu a “Black Mirror: Bandersnatch”, cuidado com os spoilers a partir deste ponto.
Final 1: A Prisão
Stefan começa a ficar obcecado com a ideia de que não é ele quem toma as decisões – sem livre arbítrio, seu futuro está fora de seu controle.
Ele descobre o PAC, um programa de controle ao qual seu pai é afiliado há anos. O jovem fica sabendo, ainda, que sua terapeuta também está tentando controlá-lo.
Desnorteado, Stefan pega um cinzeiro e bate na cabeça do pai, matando-o. Stefan enterra mal o corpo do pai, que é descoberto. O jovem é preso pelo assassinato, e o lançamento do game é prejudicado.
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Final 2: A Morte
Quando Stefan é pequeno, ele insiste em procurar um coelho de pelúcia. O atraso causa a morte da mãe, que acaba por pegar um trem que descarrilha.
Stefan consegue voltar ao passado para tentar evitar a morte da mãe. O espectador pode controlá-lo para ele encontrar, finalmente, o coelho de pelúcia. Mesmo assim, há um atraso. A mãe pergunta se Stefan quer ir com ela. Se você escolher sim, o menino também morre no acidente de trem.
O filme volta ao presente e mostra que, ao morrer no passado, Stefan também morre, desta vez na sala da sua terapeuta.
Final 3: O Sucesso
Nesta linha temporal, Stefan também mata o pai, mas, ao invés de enterrá-lo, resolve esquartejá-lo. O corpo nunca é encontrado, e o protagonista consegue escapar das acusações.
O game “Bandersnatch” é lançado e faz tremendo sucesso.
Anos mais tarde, a filha de Colin (que aparece como um bebê no começo do filme) decide criar uma nova versão do jogo e colocá-la na Netflix. Ela se torna, então, a nova vítima da paranoia sobre controle e livre arbítrio.
Final 4: A Briga
Em certo momento da trama, Stefan pede ao computador que mande algum sinal. Se você escolher a opção “Netflix”, vai entrar de fato no filme: o personagem descobre que está sendo controlado por alguém do futuro, do século 21, que o está vendo em um serviço de streaming, que serve como entretenimento online.
Perturbado, Stefan vai até o consultório de sua terapeuta e lhe conta tudo. A médica, então, indaga: se tudo é feito para entretenimento, onde estão as cenas de ação?
É possível engatar uma luta com a médica e com o pai. Ao fim da briga, Stefan é retirado do consultório aos gritos.
Final 5: O Set de Filmagem
Quando a terapeuta indaga onde estão as cenas de ação e convida Stefan para uma luta, é possível escolher a opção “pular pela janela”.
Quando o garoto tenta abri-la, contudo, a janela emperra. Ele descobre, então, que está em um cenário e que tudo não passa de uma filmagem. A diretora do filme se aproxima e pergunta se ele está bem, chamando-o de Mike. Como o menino está visivelmente confuso, ela pede que chamem um médico.
O fluxograma
O fluxograma abaixo (em inglês) mostra que, de fato, há várias outras ramificações possíveis (e, muito provavelmente, nem todas estão aí).
Algumas escolhas do espectador não alteram, afinal, o curso da história, enquanto outras desembocam em becos sem saída.
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