“Vidas Secas – Uma Cantata Nordestina” emociona público no Festival de Curitiba

Espetáculo do Grupo Artemis apresenta a obra de Graciliano Ramos com talento e potência


A aridez da paisagem e a miséria desoladora dos personagens de Graciliano Ramos estão retratadas em todos os cantos de “Vidas Secas – Uma Cantata Nordestina”, do Grupo Artemis de Teatro. A companhia de Mauá fez duas apresentações do espetáculo no Teatro Cleon Jacques, nesta quarta (3) e quinta (4), durante o Festival de Curitiba, dentro da programação da Fringe. 

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Vinicius Franzolini, Márcia Oliveira, Felipe Rodrigues, Jonathan Well, Lucas Fiorello e Valmir D’Fiama contam a história de uma família de retirantes sertanejos que se muda de tempos em tempos para tentar fugir da seca.

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Cena de "Vidas Secas - "Uma Cantata Nordestina", no Festival de Curitiba (Nilton Russo/Divulgação)

O pai é um homem rude que trabalha em troco de migalhas, enquanto a mãe é uma mulher que continua mantendo a fé, apesar de tudo, e que sonha em ter uma cama – além de cuidar dos dois filhos e da cachorrinha.

A direção de Rafael de Castro atribui força e emoção ao espetáculo, que conta com lindas músicas e maquiagem e figurinos caprichados. O talento dos atores ao dizer cada frase com propriedade – e com um sotaque cativante – faz o público mergulhar na história e se envolver com cada momento de pequenas alegrias e grandes dores daqueles personagens.

Baseado no romance de 1938, “Vidas Secas – Uma Cantata Nordestina” estreou em 2010 e já foi visto por mais de 30 mil pessoas. Em 2017, ganhou o prêmio especial do júri no Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, pela pesquisa cênica e literária com olhar para a infância e a juventude.