
O novo espetáculo da companhia de teatro Os Satyros mergulha nas fraturas de uma família separada pelo tempo e a examina como a primeira estrutura simbólica que nos organiza – lugar onde aprendemos a amar, a disputar amor e a silenciar.
“Quase Todos” estreou em março no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, e continua em cartaz até 12 de abril, com sessões de quinta a domingo e ingressos a R$ 50 e R$ 15 (com credencial do Sesc).

A montagem, com dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, acompanha quatro irmãos que, após um pacto na infância no interior do Brasil, seguem caminhos distintos e enfrentam um afastamento de décadas.
Diferente de uma narrativa tradicional de reencontro, o espetáculo foca na fratura: o que resta quando o pertencimento deixa de ser prática e vira apenas lembrança?
O diferencial desta montagem é a camada distópica: a Inteligência Artificial é inserida no centro da narrativa. Personagens compram e vendem memórias, adquirindo lembranças de momentos que nunca viveram. A discussão desloca a tecnologia para o campo afetivo: se podemos fabricar o passado, o que acontece com a nossa identidade?

Com dez atores em cena, a peça reafirma a pesquisa vanguardista dos Satyros ao integrar cenografia tecnológica com uso de laser, LED digital e video mapping.
A trilha sonora original proporciona uma atmosfera imersiva que tensiona o discurso e o corpo, unindo-se à Inteligência Artificial integrada à cena para materializar o conceito de memórias editáveis.
Sinopse
Quatro irmãos, de uma família do interior do Brasil, fazem um pacto na infância. Na juventude, deixam a casa dos pais e seguem caminhos distintos. O que parecia apenas o movimento natural da vida transforma-se em afastamento prolongado. Anos passam sem encontros, sem conversas profundas, sem revisões.

Entre memórias fragmentadas, silêncios herdados e tentativas de reconexão, a família se reencontra – ou quase. O espetáculo percorre o tempo como matéria dramática e expõe as fissuras que ele provoca: o que foi dito, o que ficou por dizer e o que talvez já não possa mais ser reparado.
Em um ato composto por quadros que atravessam diferentes momentos dessa trajetória, “Quase Todos” investiga o que resta das relações quando o tempo faz seu trabalho silencioso.

Ficha Técnica
Dramaturgia: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Direção: Rodolfo García Vázquez
Assistência de direção: Renatto Moraes
Elenco: André Lu, Diego Rifer, Eduardo Chagas, Gabi Flores, Gustavo Ferreira, Ivam Cabral, Julia Bobrow, Marcia Dailyn, Tai Zatolinni e Thiago Ribeiro
Cenografia: Thiago Capella
Design de laser, led digital e video mapping: Thiago Capella
Confecção de cenários: Emerson Fernandes e João Bento
Montagem de cenário: Ademir Gazarolli e João Bento
Operação de vídeo e laser: Heyde Sayama
Produção audiovisual: Circulus Ópera
Iluminação: Flavio Duarte, Rodolfo García Vázquez e Thiago Capella
Operação de luz: Flavio Duarte
Figurino: Elisa Barbosa, Gustavo Parreira e Jota Silva
Assistência de figurino: Emilia Lira
Adereços: Eduardo Chagas, Elisa Barboza e Emilia Lira
Visagismo: Maxime Weber
Modelagem: Lucas Maia
Preparação vocal e colaboração musical: André Lu
Trilha sonora original, desenho de som e operação de som: Felipe Zancanaro e Lea Arafah
Fotografias: Andre Stefano
Produção: Diego Rifer
Assistente de produção: Gabriel Mello
Idealização: Os Satyros

“Quase Todos”
Onde: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (SP)
Quando: até 12/4 – Quintas, sextas e sábados: 20h; Domingos e feriados: 18h (sessão extra no dia 4/4, às 17h. Não haverá sessão no dia 3/4)
Quanto: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial Sesc); à venda pelo site do Sesc
+ infos: 14 anos; 100 minutos; sessões aos sábados com Intérprete de Libras
Serviço de van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h
(Fonte: Imprensa | Sesc 24 de Maio)