
Dedicada à importante trajetória da artista modernista, a exposição “São Paulo – Paris: A Descoberta de Tarsila do Amaral” fica em cartaz no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, até 25 de janeiro de 2026.
A mostra é inédita, já que é a primeira vez que a coleção completa da artista, aos cuidados do Acervo dos Palácios, departamento museológico da Casa Civil, estará reunida na sede do Governo de SP.

Ao todo, são 13 telas e 3 gravuras de Tarsila expostas no Salão dos Pratos, importante sala de reuniões e exposições do Palácio dos Bandeirantes, que acabou de passar por um projeto de restauro para retomar suas características originais, e teve elementos como piso, portas e teto reformados.
Das 16 obras da exposição, 6 delas estiveram em Paris, na França, e em Bilbao, na Espanha, emprestadas para importantes exposições na Europa de setembro de 2024 até junho de 2025.
A artista vem recebendo novas leituras, mostrando sua importância e contribuição com o modernismo em contexto ampliado, inclusive internacionalmente.

Com curadoria de Rachel Vallego, também responsável pela atual gestão do Acervo dos Palácios, “São Paulo-Paris: A Descoberta de Tarsila do Amaral” apresenta criações da artista entre os decênios de 1910 a 1960, trazendo novas reflexões.
“O conjunto de obras de Tarsila pertencente ao Acervo dos Palácios é único, pois além de nos possibilitar acompanhar toda a carreira da artista, é constituído de obras icônicas”, diz a curadora. “Fazer essa exposição logo após as obras retornarem de um importante empréstimo na Europa é presentear São Paulo com cultura, arte e ampliar o acesso e conhecimento sobre uma das mais significativas pintoras modernas brasileiras.”
A exposição tem como eixo central as descobertas artísticas que marcaram a trajetória da artista entre as duas cidades. De São Paulo, Tarsila guardou as cores, formas e memórias da infância na fazenda e da vida urbana na metrópole; em Paris, na efervescência artística dos anos 1920, absorveu as vanguardas europeias e encontrou no modernismo as ferramentas para reinventar a cultura visual brasileira.

A mostra celebra esse encontro de mundos e a construção de uma linguagem única que fez de Tarsila um ícone do modernismo e uma das maiores referências da arte brasileira.
A iniciativa também integra as comemorações do aniversário de 40 anos do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Estado de São Paulo, responsável pela gestão das coleções artísticas e históricas dos palácios governamentais.
A entrada é gratuita, mas é necessário agendamento prévio para visitação.

Palavras da curadora
O título da exposição imediatamente nos coloca uma dúvida: qual a descoberta? Quem descobriu o quê? É Tarsila que descobre algo? Ou o que ela descobria já era conhecido por outras pessoas? Será que somos nós que descobrimos Tarsila pela primeira vez?
Ao apresentar a coleção de obras de Tarsila do Amaral pertencentes ao Acervo dos Palácios desde o início da década de 1970, muitas delas compradas diretamente da artista, buscamos vê-las com os olhos de quem as vê pela primeira vez. A descoberta de suas cores, formas, gestos e olhares. Tarsila fala através da pintura, sua eloquência não está nas palavras, seus escritos são poucos, mas sua arte povoa o imaginário de todos que alguma vez cruzaram com elas.
Entre São Paulo e Paris, Tarsila formou seu olhar e se tornou pintora. Viu pela primeira vez como o mundo era muito maior do que supunha. Sob o prisma da Paris cosmopolita dos anos 1920, viu também sua infância na fazenda, viu o Brasil como se fosse a primeira vez. Na ânsia de mostrar aquilo que lhe parecia maravilhoso, ou mesmo revolucionário para os padrões da elite cafeeira, que ainda cultivava o gosto do séc. XIX, Tarsila encontrou uma forma de expressar a transformação que via e vivia.
Na dicotomia entre o que foi sua experiência da juventude e o que era esperado dela como mulher de posição social elevada, Tarsila encontra uma terceira via, ser pintora moderna. Apropriando-se de um léxico que buscava ruptura com os padrões da academia, a arte moderna lhe possibilitava uma liberdade nunca imaginada.
Ao navegar pelas obras do Acervo dos Palácios, acompanhamos a jornada de Tarsila desde 1911 com uma de suas primeiras obras, passamos pela experiência da Academie Julian, em Paris, seu contato com os Modernistas paulistas, a fase Pau-Brasil e Antropofágica dos anos 1920, culminando em “Operários”, de 1933, obra simbólica da fase social, chegamos até 1954 com um estudo para o painel comemorativo do IV Centenário da cidade de São Paulo e com sua produção tardia de gravuras nos anos 1960.
Ao reunirmos todas as obras de Tarsila do Amaral do Acervo dos Palácios presenteamos o público paulista com a oportunidade de conhecer ou rever obras de uma das mais celebradas artistas brasileiras. Após longa temporada de empréstimo para exposições internacionais as obras retornam ao Palácio dos Bandeirantes reafirmando o nosso compromisso em divulgar e preservar a arte e cultura nacional.
Rachel Vallego
Curadora do Acervo dos Palácios
“São Paulo – Paris: A Descoberta de Tarsila do Amaral”
Onde: Palácio dos Bandeirantes – Avenida Morumbi, 4.500
Quando: Até 25/1/2026; seg. a sex.: 10h às 16h; sáb.: 10h às 12h
Quanto: Grátis; necessário agendamento prévio pelo site
