Adaptação inédita de “O Talentoso Ripley” estreia no Rio de Janeiro e leva ao palco muito suspense e terror

Hugo Bonèmer interpreta o protagonista e também assina a direção, ao lado de Kamilla Rufino


A versão brasileira de “O Talentoso Ripley” estreia no próximo sábado (4 de abril) Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Esta é a primeira adaptação teatral em português do romance de Patricia Highsmith, publicado em 1955.

A temporada segue até 27 de abril, com sessões aos sábados, aos domingos e às segundas, sempre às 20h. Os ingressos estão à venda pelo site da Funarj e na bilheteria do teatro.

Elenco de “O Talentoso Ripley” (Crédito: Peter Wrede)

A peça conta a história de Tom Ripley (Hugo Bonèmer), um mestre da camuflagem social, um jovem invisível em Nova York que vê na fortuna de uma família a chave para a vida que sempre cobiçou. Ao se infiltrar no cotidiano luxuoso de Richard Greenleaf (Francisco Paz), a admiração de Tom transmuta-se rapidamente em uma obsessão paranoica e predatória.

O personagem Tom Ripley já foi interpretado por nomes como Matt Damon, Alain Delon, John Malkovitch e Andrew Scott, em diferentes adaptações.

Com base no texto de Phyllis Nagy, a montagem leva aos palcos uma leitura que desloca o foco da ação para a dimensão psicológica da narrativa e organiza a cena a partir da perspectiva do próprio protagonista, estruturando a experiência do público a partir desse ponto de vista.

Além de interpretar Ripley, Hugo Bonèmer assina a direção, ao lado de Kamilla Rufino, e conduz o projeto como produtor em um processo independente.

Hugo Bonèmer interpreta Tom Ripley em “O Talentoso Ripley” (Crédito: Peter Wrede)

Essa convergência de funções se reflete diretamente na encenação, construída a partir de um eixo que conecta atuação, linguagem e concepção, com foco na investigação das zonas mais instáveis do personagem e das relações que o cercam.

O elenco também conta com Cassio Pandolfh, como Herbert e o Tenente Roverini, Guilhermina Libanio, como Marge e Sophia, João Fernandes, como Marc e Freddie, Laura Gabriela, como Emily e Tia Dottie, e Tom Nader, como Red, Fausto e Silvio, em um jogo de revezamento de personagens ao longo da trama.

A narrativa se constrói como um depoimento em primeira pessoa, no qual o protagonista conduz o público por sua lógica e reorganiza os acontecimentos a partir de sua própria versão.

O suspense estrutura a encenação, mas o espetáculo amplia esse território ao incorporar elementos de terror e uma atmosfera que flerta com o surreal, criando um ambiente de tensão que atravessa dramaturgia, iluminação e interpretação.

“O tempo todo ele tenta convencer o espectador a acreditar no seu ponto de vista, tentando validar cada escolha, por mais terrível que seja”, afirma Bonèmer.

Escrita antes da adaptação cinematográfica dos anos 1990, a versão de Phyllis Nagy reposiciona a narrativa ao expandir a presença dos personagens femininos e aprofundar suas camadas dramáticas.

Na montagem brasileira, esse deslocamento se traduz em relações mais tensionadas e em uma reorganização do olhar do público sobre a história.

“A adaptação cria uma ótica muito feminina e desenvolve personagens que, em outras versões, eram menos explorados, trazendo novas camadas para a narrativa”, completa o ator.

A encenação se constrói a partir do encontro entre diferentes referências, que vão do suspense clássico ao imaginário contemporâneo do true crime, mantendo como base a investigação psicológica proposta pelo material original.

Mais do que recontar uma história já conhecida, a montagem propõe uma reflexão sobre desejo, mobilidade social e construção de imagem, aproximando a trajetória do protagonista de questões contemporâneas ligadas à performance e à necessidade de reconhecimento.

Em cena, essa investigação se traduz em uma experiência direta, em que o público é conduzido pela lógica do personagem até perceber que já não observa de fora, mas está implicado. É nesse deslocamento, entre identificação e desconforto, que o espetáculo se afirma não apenas como suspense, mas como um estudo sobre até onde alguém pode ir para ocupar um lugar no mundo.

Ficha técnica

Adaptação para teatro: Phyllis Nagy (da obra de Patricia Highsmith)
Direção: Hugo Bonèmer e Kamilla Rufino
Elenco: Cassio Pandolfh, Francisco Paz, Guilhermina Libanio, Hugo Bonèmer, João Fernandes, Laura Gabriela e Tom Nader
Iluminação: Renato Machado
Direção musical e trilha original: Tauã de Lorena e Laura Gabriela
Figurino: Sergio Medina e Joe Nicolay
Cenário: Hugo Bonèmer
Contrarregra e camareiro: Leo Nunes
Design: Guilherme Dias Goulart (Tribbo)
Fotos: Peter Wrede
Figurino: Joe Nicolay e Sergio Medina
Mídias digitais: Danilo Costa
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Produção: Linda Gomes
Direção de produção: Hugo Bonèmer (Hmm-Hum Produção)
Produção executiva: Hugo Bonèmer e Francisco Paz
Idealização: Francisco Paz (Unfinished Business)

O Talentoso Ripley

Onde: Teatro Glaucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
Quando: 4 a 27 de abril – Sábados, domingos e segundas: 20h
Quanto: a partir de R$ 35; à venda pelo site da Funarj e na bilheteria do teatro
+ infos: 18 anos; 2 horas

(Fonte: GPress Comunicação e Ribamar Filho)